Ela testa a durabilidade quanto ao desgaste das próteses ortopédicas produzidas no Brasil, reproduzindo fielmente os movimentos humanos. O Custo é 5% de uma máquina importada.
A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP) acaba de criar uma máquina para testar o desgaste de próteses ortopédicas fabricadas e comercializadas no Brasil. Resultado de uma nova linha de pesquisa desenvolvida pelo engenheiro e doutorando André Luís Lima Oliveira, o Simulador Multiaxial de Movimentos Humano reproduz fielmente os movimentos de articulações como quadril, joelho, coluna, ombro, tornozelo, etc.
Segundo ele, a máquina tem como finalidade atender as necessidades do setor ortopédico nacional que ainda não dispõe de laboratórios e principalmente de técnicos capacitados para testes complexos como os de desgaste em próteses. Outra vantagem, destaca André, é o custo. “Adquirir uma máquina importada representa um alto custo, cerca de US$ 300 mil. A nossa máquina custou cerca de US$ 15 mil, ou seja, 5% do valor das similares importadas”, disse.
O estudante de doutorado afirma que usou as mais modernas técnicas e seguiu normas internacionais de qualidade como a ISO14242-2. “Mesmo com esse custo, a máquina apresenta tecnologia de ponta e por isso não deixa a desejar com relação as melhores máquinas existentes no mundo”, diz Oliveira.
Ele ressalta ainda o fato de que o Brasil poderá se tornar independente de técnicos estrangeiros, muitas vezes onerosos e que por não estarem no Brasil limitam o uso e estudos para desenvolvimento com os equipamentos importados. “O maior benefício do projeto é a autonomia definitiva do Brasil neste segmento. Os onerosos testes que antes eram realizados somente por laboratórios internacionais e custam cerca de US$40 mil, agora podem ser feitos no País e com a garantia de uma instituição pública de respeito como a USP. A indústria e a população serão os beneficiados diretos com os testes que ajudam a desenvolver e melhorar a qualidade das próteses”, afirma o engenheiro.
O Professor Doutor Raul Gonzalez Lima, do Departamento de Engenharia Mecânica da POLI-USP, orientador do trabalho, destaca que o “projeto é uma solução simples e barata para uma necessidade nacional”. Raul lembra que a falta de uma tecnologia nacional para testar a durabilidade e o desgaste das próteses nacionais foi confirmada pelo médico ortopedista e diretor do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo, Dr. Roberto Dantas Queiroz, especialista em cirurgias de reconstituição do quadril. “Ele tem contribuído significativamente com este projeto”, diz o professor do Departamento de Engenharia Mecânica da da POLI-USP.
Segundo pesquisa realizada por André Oliveira, dados mundiais revelam para uma crescente incidência de casos de fraturas seguidas de intervenção cirúrgicas. Estimativas apontam que em 2050 mais de 6,3 milhões de pessoas terão que passar por cirurgias de reconstituição articular por ano. No Brasil, um dos poucos estudos sobre o tema, relata o alto índice de 343 casos de fraturas do fêmur para cada 100 mil habitantes com idade acima de 60 anos.
Outro dado alarmante é o número de cirurgias de reparo, feitas quando as próteses falham prematuramente. “Diretamente relacionado ao elevado número de casos cirúrgicos estão os altos gastos para o tratamento e, infelizmente no Brasil, as constantes cirurgias de reparo para substituição de implantes ortopédicos são freqüentes, gerando gastos extras aos sistemas de saúde”, disse Oliveira. “Deve-se ressaltar que, nestes casos, o grande prejudicado é o paciente submetido a uma segunda cirurgia de reparo ou substituição, passando por outro longo processo de recuperação física e psíquica”.
O doutorando da USP afirma que entre os principais motivos das falhas prematuras dos implantes ortopédicos está a má qualidade dos materiais utilizados além do design inadequado. “Próteses importadas de alta qualidade, com desempenho comprovado em simuladores de desgaste, apresentam garantia mínima de 12 anos podendo chegar até mesmo a 20 anos de uso sem qualquer reparo. Acredito que seria ótimo para a população brasileira se os fabricantes nacionais apresentassem a mesma garantia”, disse.
Como a tendência do uso das próteses é crescente e inevitável, André Oliveira afirma que melhorar a qualidade das próteses é um ponto estratégico para a nação. “Para isso, regulamentar e fiscalizar melhor é o caminho mais curto para excelência em qualidade das próteses e construir esta máquina, que testa o quão pode durar uma prótese, antes mesmo delas serem implantada no corpo humano significa um avanço ao setor”, afirma o engenheiro André Luís Lima Oliveira.


