Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da USP

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Simulador reproduz condições de cabine de avião para aprimorar conforto

A equipe do projeto Conforto e Design de Cabine da Escola Politécnica (Poli) da USP realizará, a partir de julho, testes que avaliarão o conforto de cabines de avião. Nas pesquisas, voluntários adentrarão em um simulador que reproduzirá diferentes condições típicas de uma cabine real.

O estudo é resultado de uma parceria de desenvolvimento tecnológico entre a USP, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Embraer, e tem por objetivo estudar a percepção de conforto das pessoas quando submetidas a diversas condições ambientais no interior de um simulador de avião.

Serão estudadas condições como pressão, temperatura, ruído, iluminação, vibração e umidade. Na primeira fase do projeto, que vigorou até ano passado, as tecnologias foram estudadas separadamente. “Conhecemos os efeitos destes parâmetros sobre a percepção de conforto no corpo humano, mas não numa cabine de avião e nem de forma integrada”, diz o coordenador do programa e professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Poli, Jurandir Yanagihara.

Segundo ele, os resultados da fase atual serão mais abrangentes, uma vez que será avaliada a percepção de conforto na totalidade e as relações entre os aspectos. A iluminação, por exemplo, tem efeitos sobre a sensação térmica e esta, por sua vez, atua na forma como os passageiros percebem o ruído.

A cabine
Para realizar este estudo foi construída na Poli uma estrutura que simula uma cabine de avião, a segunda do tipo no mundo. Além disso, estão envolvidos cerca de 60 pesquisadores, entre alunos, professores, engenheiros e médicos, compondo uma equipe interdisciplinar, que examinarão em conjunto as respostas dos voluntários ao longo da simulação. Os ensaios durarão entre duas e cinco horas, dependendo do parâmetro a ser estudado.

Interessados maiores de 18 anos, que tenham viajado de avião nos últimos 12 meses e que tenham disponibilidade para ir até o Laboratório de Engenharia Térmica e Ambiental (LETE) da USP, podem se inscrever na página do projeto. Os voluntários receberão uma ajuda de custo que pode variar de R$ 30,00 a R$ 100,00, dependendo da duração do teste.

A previsão é que esta fase do projeto se estenda até o final deste ano e, no ano que vem, comecem a ser abordados outros aspectos, como o controle individual do microclima, por exemplo. Ao término de todos os testes a Embraer utilizará os resultados como direcionamento para melhorias de suas aeronaves.

A vez do conforto
Mais recentemente, o quesito conforto tem se transformado em preocupação crescente dentre os fabricantes de aeronaves. Em seus primórdios, o desenvolvimento de aviões era voltado quase que exclusivamente para torná-los seguros. Depois que isso foi estabilizado, as empresas se comprometeram com o rendimento e a economia e só nos últimos anos o bem-estar dos passageiros se tornou a principal meta a ser alcançada. Os consumidores se tornaram mais exigentes e demandam que as viagens não só sejam seguras e econômicas, mas também confortáveis.

“Esse projeto não só é pioneiro no Brasil, como também em todo o mundo. Existem só dois grupos que fazem pesquisas desse tipo, um consórcio de universidades europeias e outro de universidades americanas”, afirma o professor Yanagihara. O conhecimento resultante dessa parceria tecnológica e interdisciplinar poderá ser aproveitado até mesmo para outras áreas de pesquisa, como na indústria automobilística.

Meire Kusumoto / USP Online
meire.kusumoto@usp.br

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