As atividades do campus santista da Universidade de São Paulo (USP) em Santos não começaram, mas uma novidade promete atrair ainda mais os olhares para a Cidade. A previsão do curso de Engenharia Mecânica e Naval, inédito na instituição, deverá atender às necessidades decorrentes das atividades do pré-sal.
A intenção foi anunciada ontem, no seminário que encerrou a visita técnica às futuras instalações da universidade no Município: a Escola Estadual (EE) Cesário Bastos e a antiga garagem de bondes da Prefeitura, nos fundos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Ambos os espaços ficam na Vila Mathias.
Além da Reitoria, nove diretores de escolas e institutos da USP participaram da visitação, na quarta-feira. “Todos aprovaram a área que ocupará o novo campus e também apresentaram interesse em instalar cursos em Santos”, destaca o reitor, João Grandino Rodas.
Uma das vantagens apontadas pelo reitor é a consolidação dessas unidades. “A Escola Politécnica é centenária e o Instituto Oceanográfico tem 60 anos, ou seja, não vamos partir do zero. As capacidades instaladas em Santos serão as principais unidades da USP, o que vai diminuir a possibilidade de erro. Acreditamos que esse modelo, ainda inédito, será um marco na história recente da USP”, ressalta Rodas.
Remodelação
O diretor da Escola Politécnica, José Roberto Cardoso, explica que o projeto de instalação da USP na Cidade compreende a criação de cursos inéditos. “Devido ao diferente cenário tecnológico, motivado pelos investimentos do pré-sal, será necessário criar cursos que consigam atender essas novas necessidades”, explica.
Um deles será o curso de Engenharia Mecânica e Naval. “Já estamos concebendo esse novo curso, que deve atender às demandas futuras da Petrobras na região”, diz Cardoso.
Com a USP em Santos, na opinião do diretor da Politécnica, o Município será um grande centro universitário e de pesquisa. “A vinda da USP para a Cidade muda um paradigma: a universidade mudar seu olhar do Interior para o mar”.
Os dez primeiros alunos vão estudar na EE Cesário Bastos, em uma estrutura que oferece, inicialmente, seis salas, incluindo as que abrigarão laboratórios e o setor administrativo. O prédio, alvo da visita realizada na quarta-feira, é a sede da Diretoria de Ensino de Santos e, até que a Secretaria da Educação defina um novo destino para o setor, o órgão continuará no mesmo local.
No entanto, para comportar a ampliação do curso, em 2013, a USP precisará de todo o prédio. “Já temos um acordo com o Governo do Estado para a cessão total do edifício, que deve ser desocupado até o final do primeiro semestre de 2012”, diz Cardoso.
A Reitoria da USP informa que já tem uma reserva financeira para executar as obras necessárias. “São cerca de R$ 3 milhões para a restauração, que vai garantir a preservação das características originais do Cesário Bastos”, garante Rodas.
A estrutura inicial, com as seis salas, também deve abrigar os cursos de mestrado em Sistemas Logísticos e de extensão em Éticas e Valores na Escola, em períodos distintos do curso de Engenharia de Petróleo. Outra novidade anunciada ontem é a existência de projeto da USP que prevê a construção de um prédio para futuros cursos. Segundo o reitor da instituição, João Grandino Rodas, o modelo vertical foi o adotado devido à falta de espaço para uma instalação horizontal.
“Será uma torre, que deverá ser erguida nos próximos cinco anos. Para essa obra, já temos uma reserva de R$ 100 milhões. Temos que correr porque essa verba pode ser destinada para outros projetos internos, caso não haja uma definição rápida”, argumenta Rodas.
Para abrigar a torre da USP, o Executivo já deu sinal verde para a cessão de outras áreas municipais, além da garagem de bondes. “Vamos encaminhar à Câmara um projeto de lei para a cessão de todo o terreno que compreende a CET, além do Serviço de Transportes e a Defesa Civil. Vamos fazer o que for possível para a vinda definitiva da USP”, destaca o prefeito de Santos, João Paulo Papa.
De acordo com Rodas, a torre e a EE Cesário Bastos compreendem uma área de 30 mil metros quadrados, que pode ganhar novos prédios. “Outras torres podem surgir depois, dependendo do interesse das unidades da universidade”. Para avaliar a área, também participaram da visita técnica as superintendências das áreas de Assistência Social e de Gestão Ambiental da USP.
Transferência
A Prefeitura já procura novos espaços para uma eventual transferência da CET e outros serviços instalados na Avenida Rangel Pestana, 100. “Não existe uma área na Cidade capaz de abrigar a CET, a Defesa Civil e o Serviço de Transportes juntos. Já estamos procurando espaços para a transferência dos três serviços, que terão de ser readaptados”, explica Papa.
O prefeito também colocou à disposição do projeto de expansão da universidade, 3 quilômetros quadrados na Área Continental de Santos. “É uma área já prevista no novo Plano Diretor para o setor tecnológico. Trata-se de um espaço da iniciativa privada, que certamente deverá manifestar interesse em ter a USP ao lado”, finaliza Papa.
(Jornal A Tribuna de Santos, 16/12/11)


